quarta-feira, 27 de julho de 2011

O VALOR DA COMPETÊNCIA ESTÁ RELACIONADO AO VALOR ÉTICO PROFISSIONAL

O VALOR DA COMPETÊNCIA ESTÁ RELACIONADO AO VALOR ÉTICO PROFISSIONAL
 Existirá profissional de enfermagem com vocação no mercado de trabalho? Qual será o verdadeiro motivo que mantém o enfermeiro dentro da unidade hospitalar? Trabalho como enfermeiro graduado há vinte anos e diretor de enfermagem a mais de sete anos e é com muita preocupação que observo o que tem acontecido nos dias atuais, onde a competência está vinculada ao valor salarial. A mudança de comportamento dos profissionais surgiu a partir de um afastamento do conceito da ética. "O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social". Os profissionais deixam de exercer a real profissão por entenderem estarem sendo mal remunerados e isso mostra o caráter deformado de um profissional, que acaba causando um prejuízo ao "ser paciente" e conseqüentemente uma injustiça social.
   Existem dois resultados que surgem a partir do trabalho e considero o primeiro a realização da prática pelo qual fui graduado e o segundo a remuneração salarial. Como observador e responsável por prover uma assistência de enfermagem com qualidade e responsabilidade, me deparo com uma barreira quase que instransponível que é necessitar que algum enfermeiro que esqueceu os princípios éticos execute o seu papel social. Não posso admitir esta não conformidade e compactuar ou me dobrar a este sistema de motivação profissional falida. Necessito continuar com os princípios e os juramentos da profissão "fazei-me ver em cada um dos enfermos, não uma doença, um caso, um órgão, um número, mais sim um ser, uma pessoa, a vossa pessoa" este deve ser o foco do profissional enfermeiro. Liderar pessoas nunca foi fácil, sempre será desafiador e exaustivo, principalmente para quem possui um objetivo a atingir. Reacender ou criar o conceito da ética a partir de aumento salarial é uma utopia. Um profissional comprometido com a profissão nunca vinculará uma situação à outra. Pelo contrario criará um ambiente agradável e produtivo a todos, recorrerá a outros métodos para satisfazer suas necessidades sem comprometer o instrumento de seu trabalho. Frases como "Se ganha muito pouco para muita exigência", "não ganho para isso", "não preciso me aperfeiçoar" foram frases proferidas por alguns profissionais que já estiveram sobre a minha responsabilidade e que não aceitando a convocação a uma mudança de postura, preferiram abrir mão de seus empregos, a mudarem seu modo de ser e agir.  Onde estes profissionais encontrarão o reconhecimento profissional: a partir de um maior salário? A triste realidade é que nunca se realizarão, por que por maior que seja a sua renda, nunca conseguirão comprar algo que não tem preço (a sua vocação). Será apenas uma questão de tempo para que outros diretores comprometidos como a ética e a competência, percebam que o tempo de experiência profissional nada acrescentou a esses profissionais, e que a ambição sempre superará a verdadeira vocação. Existem outros enfermeiros que pela excelência na execução de seu trabalho, foram convidados por outras instituições e hoje recebem melhor remuneração (isto é louvável) a maior remuneração surgiu a partir de um melhor comprometimento profissional e este é o único meio para se chegar a um fim. Sabe-se que na atualidade, a competência muitas vezes está relacionada à remuneração e algumas empresas utilizam este método para premiar os seus colaboradores. É uma forma de incentivo, isto é um importante fator na melhoria da qualidade, entretanto também encontramos nestas empresas, profissionais que não se envolvem no processo (não são vocacionados). Podemos concluir que vocação e salário melhoram a qualidade da assistência, entretanto, salário sem vocação não repercute nessa melhora. Não podemos faltar com o comprometimento, utilizar os problemas pessoais, a insatisfação pela falta de realização na profissão, e justificar baseado na remuneração salarial.
Necessitamos também de compreender que cada empresa vive um momento financeiro diferenciado e é com a contribuição de enfermeiros que essas empresas entrarão ou sairão de crises. Se achamos necessários um salário diferenciado, também necessitamos apresentar uma postura diferenciada. Pense nisso
Márcio Gomes da Costa  - Professor da Faculdade Anhanguera de Taubaté Unidade I

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